quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Conformismo verde-amarelo





Brasileiro tem o hábito de não levar nada realmente a sério. O tal “jeitinho brasileiro” que o diga. Aqui é o país da baderna, do fazer “nas coxas”, do tudo pode, do “oba-oba”. Do absurdo que cai no gosto popular. Da exposição do corpo como arte, “trabalho”. Até quando vamos continuar assim, levando? Até quando vamos continuar com essa memória curta (ou boa demais para esquecer, perdoar, se conformar)? Porque temos sempre de continuar felizes e conformados com as aberrações explodindo em nossas caras? A falta de tomar a responsabilidade para si vai refletindo no salário, nas condições desumanas de vida, nas limitações. Será que a garra para mudar alguma coisa só se manifesta no brasileiro de quatro em quatro anos, na hora da Copa do Mundo?
* Editorial escrito por mim e publicado na Edição 3190 do Jornal O Atlântico, na data de 23 de fevereiro de 2011.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quantidade ou qualidade?

Quem esteve em Balneário Camboriú no mês passado, pode ver a “olho nu” o que o cálculo do departamento de Planejamento da Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico Municipal concluiu. Foi povo para ninguém botar defeito. Nada menos do que 900.876 turistas em uma pequena cidade. Méritos à parte para capital das badalações, a análise provavelmente não contou com uma pesquisa de qualidade dos serviços, da Praia Central, dos bares, restaurantes... O problema da alta temporada não está na ânsia coletiva em conhecer e aproveitar o Balneário, mas na exploração nos valores de produtos e serviços, na falta de qualidade dos mesmos, e claro, no nível de turistas trazidos à cidade.

* Editorial escrito por mim e publicado na Edição 3178 do Jornal O Atlântico, na data de 9 de fevereiro de 2011.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Compre um bichinho virtual

Com o modismo, a ostentação e as marcas em alta na sociedade, cada vez mais os animais vem servindo como “material” de luxo para homens, mulheres e crianças. Ter um bichinho de estimação, hoje, vai muito além da busca por um companheiro, um amigo fiel. Famílias inteiras estão se deixando levar pelos modismos de possuir o poodle ou o yorkshire do momento.
Possuir parece ser a palavra da vez. Não importa o que, não importa quanto. O importante é ter para si. O que os “evoluidíssimos” seres humanos não tem pensando é no sofrimento que causam aos seus “amados” animaizinhos quando os trancafiam dentro de um cubículo (também conhecido como apartamento), por horas a fio. Sem contar nas roupas, sapatos, unhas feitas...
Até onde eu sei, cães e gatos para serem bem tratados, nunca precisaram fazer as unhas ou serem vestidos das patas ao fucinho. O que eu percebo por onde ando é a falta de amor humano. Isso mesmo. A falta de amor faz com que homens e mulheres se apeguem com todas as suas forças a um animal de estimação. Aí vem os exageros cometidos, partindo do princípio de chamar o animal de "filho", "filha" e até mesmo "vida", "coração". Comportamentos como este demonstram não carinho ou amor, mas sim, a falta de sensibilidade para problemas sociais muito maiores.
Duvido com todas as letras que pessoas desse tipo poderiam "ter" para si uma criança ou adolescente adotados. Sim, porque estes não podem ser esquecidos quando raia o sol num sábado de praia. Estes não podem ser trancados em uma pequena área de serviço enquanto seus "donos" trabalham. Estes não vivem apenas de ração e "voltinhas" nas ruas durante o dia. Se for para isso, que comprem um bichinho virtual. Ele não vai reclamar de ficar "off" por algum tempo.
O amor ao animal não pode estar atrelado ao pedigree ou a raça. O amor destinado ao animal deve ser o mesmo que ele destina a você. É o amor incondicional. Não importa se estará bem vestido, suado, cheiroso, rico, pobre, solteiro, casado, sorridente ou triste. O animal nunca te rejeitará. Prova disso são os mendigos. Qual deles não tem um amigo cão?


PS. Texto ilustrado pelo chargista Alessandro Dias Alves, o "Tikinho".

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Rede de "amigos"?


Ele parece mais uma mídia inocente. Uma dessas redes de congregação e encontro de amigos. Lá a gente expõe fotos, opiniões, alegrias, tristezas, nascimentos, casamentos, acidentes, começo e término de relações. Nossa vida inteira está online. Ele também proporciona uma subvida, na qual é de uma praticidade estrondosa construir e descontruir acontecimentos, amizades, namoros, situações...
Em um clique eu posso tornar-me um "curtidor" do Meio Ambiente. Em outro, eu posso deixar de lado todo esse falatório sobre florestas, preservação e desmatamento. E ainda este clique pode me trazer uma sensação mais completa, a de estar fazendo minha parte, afinal de contas, eu estou empenhado em "causes" estou "curtindo", estou ali. Mas, verdadeiramente, que diferença você está fazendo estando nesta ou naquela comunidade? Estar ou não engajado em uma causa virtual pode mesmo alterar alguma coisa em nossa vida (real)?
Com isso, fica evidente que de inocentes estas redes sociais não tem absolutamente, NADA! Inocentes e ingênuos somos nós, pobres fofoqueiros, que esbanjamos nossas conquistas e felicidades aos quatro ventos, comentamos a respeito de tudo e de todos. Divulgamos nossas vidas em imagens, sons, vídeos, como verdadeira fábulas encantadoras, que despertam a curiosidade, não de nossos amigos, mas de milhares e milhares de criaturas que nem sequer sabemos se são "normais".
Em pouco mais de seis anos, o Facebook conquistou 500 milhões de usuários. No Brasil, já são 7,3 milhões de usuários, e digo mais, viciados, que gastam horas a fio de seus dias em frente ao computador. Fazendo o que? Postando fotos e comentários que em quase sua totalidade são de cunho pessoal e não profissional. Um conteúdo fútil e vazio, que diz respeito a ele (usuário) mesmo. É a auto-promoção acima de qualquer outra coisa.
Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, tem apenas 26 anos e 41 bilhões de dólares nas mãos. Para conseguir chegar onde está, no topo, driblou muita gente, inclusive "passou a perna" em um dos "melhores amigos", o brasileiro Eduardo Saverin. A ganância e a ousadia de Zuckerberg fizeram ele reunir meio bilhão de "amigos" em um só local, uma rede virtual. No entanto, o jovem rapaz parece não entender muito bem de amizade, carinho, respeito e companheirismo.
Ter "amigos" virtuais é muito fácil. Você nem ao menos sabe quem eles realmente são, o que almejam, o que reflete seu caráter, sua índole, sua educação... O amigo virtual é simples de "entender" e fácil de ser "adquirido". É como um produto: quando não corresponde às expectativas ou não se parece mais com sua lista favorita de "best friends", é só deletar, excluir, remover de sua conta...
Até onde eu sei, abraço virtual não mata saudades. Para mim, a velha forma de se ter amigos ainda é a única verdadeira e fiel aos sentimentos. Amigos reais são para a vida. Amigos virtuais, para um clique.