
Ele parece mais uma mídia inocente. Uma dessas redes de congregação e encontro de amigos. Lá a gente expõe fotos, opiniões, alegrias, tristezas, nascimentos, casamentos, acidentes, começo e término de relações. Nossa vida inteira está online. Ele também proporciona uma subvida, na qual é de uma praticidade estrondosa construir e descontruir acontecimentos, amizades, namoros, situações...
Em um clique eu posso tornar-me um "curtidor" do Meio Ambiente. Em outro, eu posso deixar de lado todo esse falatório sobre florestas, preservação e desmatamento. E ainda este clique pode me trazer uma sensação mais completa, a de estar fazendo minha parte, afinal de contas, eu estou empenhado em "causes" estou "curtindo", estou ali. Mas, verdadeiramente, que diferença você está fazendo estando nesta ou naquela comunidade? Estar ou não engajado em uma causa virtual pode mesmo alterar alguma coisa em nossa vida (real)?
Com isso, fica evidente que de inocentes estas redes sociais não tem absolutamente, NADA! Inocentes e ingênuos somos nós, pobres fofoqueiros, que esbanjamos nossas conquistas e felicidades aos quatro ventos, comentamos a respeito de tudo e de todos. Divulgamos nossas vidas em imagens, sons, vídeos, como verdadeira fábulas encantadoras, que despertam a curiosidade, não de nossos amigos, mas de milhares e milhares de criaturas que nem sequer sabemos se são "normais".
Em pouco mais de seis anos, o Facebook conquistou 500 milhões de usuários. No Brasil, já são 7,3 milhões de usuários, e digo mais, viciados, que gastam horas a fio de seus dias em frente ao computador. Fazendo o que? Postando fotos e comentários que em quase sua totalidade são de cunho pessoal e não profissional. Um conteúdo fútil e vazio, que diz respeito a ele (usuário) mesmo. É a auto-promoção acima de qualquer outra coisa.
Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, tem apenas 26 anos e 41 bilhões de dólares nas mãos. Para conseguir chegar onde está, no topo, driblou muita gente, inclusive "passou a perna" em um dos "melhores amigos", o brasileiro Eduardo Saverin. A ganância e a ousadia de Zuckerberg fizeram ele reunir meio bilhão de "amigos" em um só local, uma rede virtual. No entanto, o jovem rapaz parece não entender muito bem de amizade, carinho, respeito e companheirismo.
Ter "amigos" virtuais é muito fácil. Você nem ao menos sabe quem eles realmente são, o que almejam, o que reflete seu caráter, sua índole, sua educação... O amigo virtual é simples de "entender" e fácil de ser "adquirido". É como um produto: quando não corresponde às expectativas ou não se parece mais com sua lista favorita de "best friends", é só deletar, excluir, remover de sua conta...
Até onde eu sei, abraço virtual não mata saudades. Para mim, a velha forma de se ter amigos ainda é a única verdadeira e fiel aos sentimentos. Amigos reais são para a vida. Amigos virtuais, para um clique.
2 comentários:
Ótimo ponto de vista =]
O texto nos convida a reflexão, o que vale mais, um milhão de amigos virtuais ou um ou dois amigos verdadeiros, que estarão lá nos momentos ruins e bons? É verdade que hoje em dia, no mundo fútil e cheio de interesses escusos que vivemos, está cada vez mais difícil encontrar amigos verdadeiros, mas acredito que mais vale a pena correr o risco de se decepcionar verdadeiramente, havendo a possiblidade de acertar e conhecer uma pessoa legal, do que viver essa ilusão onde todos estão na falsa "proximidade" de um clique...
Parabens pelo texto e pelo blog =]
Leitura inteligente está cada vez mais difícil de encontrar...
Beijos!!! ;pd;
É inegável que a internet é uma das maiores invenções do século. Inegável também é a forma que nós "beneficiários" acabamos nos deixando "usar" por ela. Conteúdo digital ao alcance dos dedos, o mundo a frente de um trio de "W", uma vida com todos as suas vertentes virtualizada. O que parece uma grande brincadeira a principio passa a ser preocupante quando virtualizamos nossos sentimentos, quando risadas se resumem a seqüências sem lógicas de letras, beijos e abraços a abreviações de palavras e principalmente quando amor e amizade são tratados como um "bom dia", que se dá pra qualquer pessoa na rua e se demonstra mantendo nomes numa lista de contato qualquer. Pegando um gancho no meu ultimo comentário (lá vem aquele papo de velho...) a geração dos anos 80 – como a minha – ou anteriores, viveu os dois lados da moeda, nasceu num mundo pouco interligado e carente de tecnologias globalizantes, cresceu com elas e, de certa forma, se adaptou ao mundo virtual, mantendo as raízes no mundo real. Já o pessoal mais novo, nasceu quando a onda internet estava a todo vapor, talvez por isso é mais difícil para eles diferenciar a barreira entre o real e virtual.
A internet que devia ser usada como uma ferramenta para nos auxiliar, diminuindo o caos urbano, facilitando o acesso a informação, ao conhecimento, poupando com isso o nosso tempo, acaba se tornando sinônimo de impessoalidade, pois por pura comodidade, preguiça ou "vício" acabamos desperdiçando esse tempo que nos é poupado, navegando...ou seja, poupamos tempo para perder tempo. É visível que hoje somos a cada dia mais máquinas e menos humanos (as causas disso não importam muito, mas talvez o dinamismo dos dias atuais seja uma delas). Muitas vezes preferimos mandar um scrap para um amigo, o felicitando pelo seu aniversário, ao invés de irmos até sua casa e desejar-lhe parabéns. Identificamos essa mecanização de sentimentos facilmente, porque todos fomos, somos ou seremos, mais cedo ou mais tarde, afetados (e usuários) desses artifícios.
No mundo atual estamos sujeitos (e as vezes obrigados) a mudanças de comportamento, curvar-se perante os avanços tecnológicos tornou-se uma espécie de "neo-seleção natural", porém é preciso astucia e principalmente bom senso para usar sim o mundo virtual, mas não deixar que ele nos use.
perfeito o texto...
Beijão
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