Brasileiro tem o hábito de não levar nada realmente a sério. O tal “jeitinho brasileiro” que o diga. Aqui é o país da baderna, do fazer “nas coxas”, do tudo pode, do “oba-oba”. Do absurdo que cai no gosto popular. Da exposição do corpo como arte, “trabalho”. Até quando vamos continuar assim, levando? Até quando vamos continuar com essa memória curta (ou boa demais para esquecer, perdoar, se conformar)? Porque temos sempre de continuar felizes e conformados com as aberrações explodindo em nossas caras? A falta de tomar a responsabilidade para si vai refletindo no salário, nas condições desumanas de vida, nas limitações. Será que a garra para mudar alguma coisa só se manifesta no brasileiro de quatro em quatro anos, na hora da Copa do Mundo?
* Editorial escrito por mim e publicado na Edição 3190 do Jornal O Atlântico, na data de 23 de fevereiro de 2011.

2 comentários:
Gabriela, um texto pequeno, pesado, mas necessário e urgente. É preciso refletir um pouco mais sobre a nossa condição humana, sobre a importância do sujeito como pessoa e construtor de sua própria história. Muito bom.
Muito interessante seu texto. Concordo integralmente com ele. Inclusive, acho que o Brasil tem de parar com essa mentalidade de que é sempre melhor o "jeitinho brasileiro". Se pararmos para pensar, o "jeitinho brasileiro" nada mais é do que uma via injusta e imoral, que é egoisticamente utilizado para atingir determinadas finalidades.
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